Aula 09 - Agricultura Familiar, Desenvolvimento e Democracia

     A agricultura familiar é um tipo de agricultura desenvolvida em pequenas propriedades rurais por famílias, onde parte de sua produção é destinada ao consumo próprio e a outra parte é destinada ao comércio. Além de ser um modo de vida, esta é uma prática tradicional passada de geração em geração, é a cultura destes povos. Seus valores são baseados no tripé: família, trabalho e terra. São também detentores de um imensurável conhecimento de técnicas e práticas de cultivo que têm se mostrado eficientes e sustentáveis.

    Esta modalidade vem perdendo visibilidade no país principalmente devido à evolução da agricultura patronal, também conhecida como agronegócio que é caracterizado pelo uso intensivo de tecnologias e o foco em produtividade e lucro. Isto gerou o que é conhecido como verticalização do setor: apesar da resistência da agricultura familiar, a maior parte do processo de produção e comércio destas mercadorias está concentrado nas mãos de cinco grandes empresas.
Fonte: agroemdia.com.br
     Mesmo com a ausência de grandes tecnologias, a agricultura familiar é responsável por um terço da produção consumida no país. Este fato rebate o argumento apresentado pela então senadora Katia Abreu em sessão da comissão da audiência pública para debater os mecanismos de controle dos agrotóxicos no país, discurso este que é exibido no documentário "O Veneno está na mesa" de Silvio Tendler. No discurso, a senadora defende que o agronegócio apresenta alta produtividade e eficiência, e que os efeitos dos agrotóxicos na saúde humana, apesar de serem argumentos "bonitos", não devem ser levados em consideração. Não estariam estas pessoas sendo reducionistas e utilitaristas ao pregar que o agronegócio produz mais portanto, sendo útil, deve continuar a todo e qualquer custo? O ponto a ser enfatizado aqui é: as tecnologias são bem vindas, desde que a vida humana seja respeitada e as minorias não sejam marginalizadas.
     Após a ditadura militar, com a redemocratização do país surgiram movimentos sindicalistas em defesa dos produtores rurais, por exemplo, a criação do Pronaf foi uma vitória importante para esta população. Porém, em 1996 ocorreu o que ficou conhecido como Massacre de Carajás, fato que virou símbolo das violações dos direitos humanos e injustiças contra trabalhadores rurais, camponeses, povos indígenas e também os defensores dos direitos humanos engajados nas lutas pelo direito à terra e recursos naturais no Brasil. A impunidade, a marginalização dos povos e a constante resistência à permanecer nesta situação caracterizam a situação que vivemos atualmente. Pode-se dizer que o que foi construído durante 30 anos de um governo progressista está em via de ser aniquilado por projetos de desenvolvimento que ignoram esta minoria e que promovem uma eficiência a curto voltados para maioria e que são apoiados por forças políticas.
     Assim sendo, vemos que o fortalecimento de políticas públicas que favorece esta prática é vital para sua continuação e seu desenvolvimento em direção às novas tecnologias. É necessário entendimento sobre o contexto geopolítico e a realidade vivida hoje para que seja possível analisar esta situação mais profundamente e compreender a importância destes povos para a sociedade em que vivemos. Em outros termos, é necessária mais empatia.



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